domingo, 3 de maio de 2009


Paul Éluard, pseudônimo de Eugène Emile Paul Grindel ( 14 de dezembro de 1895, Saint-Denis, perto de Paris- 18 de dezembro de 1952, Chareton-le-Pont, perto de Paris) foi um poeta francês, autor de poemas que circulam clandestinamente durante a 2° guerra mundial, contra o Nazismo. Participou no movimento dadaísta, foi um dos pilares do surrealismo, abrindo caminho para uma ação artistica mais engajada, até filiar-se ao partido comunista Françês.Tornou -se mundialmente conhecido como O poeta da liberdade.

Inspirado nas obras desse grande artista da literutura francesa, colocamos a disposição, um poema sedutor e apaixonante, que demonstra a liberdade de expressão e suavidade na poesia do autor.




A agitação dum vestido que tomba

Depois um corpo simples sem nuvens

Venha assim confiar-me os seus charmes

Você que teve a sua parte de felicidade

E que muitas vezes chora o sinistro fado daquele que a fez feliz


Você que não tem vontade de pensar

Que nunca soube edificar um homem

Sem amar um outro


Nos espaços de marés dum corpo que se desnuda

À mama que se afigura ser crepúsculo

O olho passeia sobre as dunas distraídas

Onde as fontes guardam as unhas de mãos nuas


Vestígios da vanguarda nua face pálida sob as celhas do horizonte

Uma breve lágrima noiva do passado

Saber que o clarão foi fértilInfantis andorinhas julgam que a terra é o céu


O quarto negro onde todos os calhaus do frio estão afiados

Não me digas que não tens medo

O teu olhar está ao nível do meu ombro

És bela demais para exaltar a castidade



No quarto negro onde mesmo o trigo

Nasce da gulodiceFicas imutávelEstás só.



Tradução: Fernando Oliveira

Este poema provém do tema intitulado “ A rosa pública “ – 1933 – de Paul Eluard

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